Você está aqui: Capa / Artigos / Comportamento Sexual e Infecção pelo HIV

Comportamento Sexual e Infecção pelo HIV

A notícia não é boa sobre a quantidade de pessoas infectadas pelo HIV em nosso país. O Jornal do CREMERJ – Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro – publicou mês passado (Dez 2017) a reportagem “HIV – Cresce o número de infectados”, mostrando estatística preocupante sobre este assunto.

Vivemos num mundo complicado apesar da tecnologia. Mundo de descartáveis, comida rápida tipo fast-food, imediatismo da internet. Queremos soluções rápidas, fáceis, cômodas, que não interfiram em nossa zona de conforto. Na área da sexualidade humana também ocorre a busca pelo prazer já e precoce. Para esta existência o Criador pensou na sexualidade humana como tendo duas finalidades: (1)procriação e (2)prazer. Estudos revelam que sexo não precoce, num casamento heterossexual, onde o principal é o afeto, é melhor, mais saudável e seguro, mais prazeroso.

Em seu livro “Conversando Sobre Sexo” a psicóloga e sexóloga Marta Suplicy afirma que os jovens adolescentes estão preparados fisicamente para terem sexo, mas não estão prontos emocionalmente. Sexo saudável é o praticado numa relação afetiva conjugal, homem e mulher, que fizeram um compromisso de fidelidade, amor, monogamia, verdade, sinceridade, afetividade, companheirismo, amizade, chamado casamento.

Dr. Dean Ornish, professor de Cardiologia da Universidade da Califórnia em São Francisco, provou que pacientes com entupimento de artérias coronárias (do coração), ao serem submetidos a um programa de um ano de mudança para um estilo de vida saudável, tiveram a redução da placa de ateroma (gordura) das suas artérias coronárias e, com isso, não precisaram de cirurgia cardíaca. A mudança do estilo de vida mudou a doença grave. Dr. Ornish afirma em um de seus livros que a afetividade numa relação conjugal monogâmica heterossexual é a melhor maneira de se viver o amor à dois com segurança. Ele explica no livro “Amor e Sobrevivência” que, e como, é importante abrir o coração afetivo para que o coração físico (artérias) possam abrir também e melhor.

O artigo do Jornal do CREMERJ citado acima mostra uma estatística triste no Brasil quanto às infecções pelo HIV. “Nos últimos dez anos, em 100 mil habitantes, os casos quase triplicaram [de adolescentes homens entre 15 e 19 anos de idade infectados com HIV], passando de 2,4 para 6,7. Também neste período, o aumento entre as meninas da mesma faixa etária foi ampliado de 3,6 casos para 4,1 por 100 mil habitantes. Já entre os homens de 20 a 24 anos, a incidência de casos de infecção pelo HIV por 100 mil habitantes passou de 16 para 33,9 registros, ou seja, mais do que o dobro. Nas mulheres idosas, acima de 60 anos, também foi constatado um aumento considerável: de 5,6 para 6,4 casos por 100 mil habitantes.” (Jornal do CREMERJ, Dez 2017, n.313, p.8).

A Dra. Márcia Rachid, infectologista, consultora do Ministério da Saúde, coordenadora da Câmara Técnica de Aids do CREMERJ e uma das fundadoras do Grupo Pela Vidda, diz que existe grande vulnerabilidade dos jovens à infecção pelo HIV porque não se consideram em risco, se acham invulneráveis, não se protegendo e não buscando informações.

Brenda Hoagland, pesquisadora do Laboratório de Pesquisa Clínica em DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e Aids do Instituto Nacional de Infectologia (INI-Fiocruz) afirma: “Temos no Brasil uma população composta por homossexuais, homens que fazem sexo com homens, mulheres transexuais, usuários de drogas e profissionais do sexo que é mais suscetível à infecção pelo HIV.” (Jornal do CREMERJ Dez 2017, p.9). Ela critica a campanha “Use Camisinha” por não ter explicação sobre que tipos de relações sexuais têm maior risco. É superficial fazer campanhas sobre usar camisinha e não educar as pessoas explicando que elas, especialmente os jovens, têm a opção de escolher deixar o sexo para o casamento. Falar sobre o uso de camisinha é uma maneira fácil de ajuda na prevenção das DST e da Aids. As estatísticas sérias sobre infecções por HIV mostram que esta abordagem simplista não tem prevenido o aumento da doença.

Brenda comenta: “Só no Rio de Janeiro, a prevalência da doença [infecção pelo HIV] na população em geral é de 0,4 a 0,6%. Em homens homossexuais masculinos ou homens que fazem sexo com homens, esse número sobe para 14%. No estudo que fizemos apenas na comunidade de transexuais, o percentual de infectados é de 30%. Esse dado é alarmante. Então, temos que nos preocupar com o acesso à prevenção e ao tratamento dessas pessoas…” (Jornal do CREMERJ Dez 2017, p.9). Fazer sexo é fácil. O difícil é amar.

_______

Cesar Vasconcellos de Souza

www.doutorcesar.com.br

Sobre Cesar Vasconcellos de Souza

Os comentários estão fechados.

Scroll To Top