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Culpa, Expectativas Frustradas e Depressão

Há uma complexidade nas causas do sofrimento humano. Há tantas perguntas sem respostas, e também perguntas difíceis de serem feitas, não é? E há respostas difíceis de serem aceitas. Igrejas prometem a eliminação do sofrimento e pregam o enriquecimento material. Dá para eliminar o profundo sofrimento humano chamado de angústia existencial? Enriquecer materialmente elimina a angústia, o sofrimento e a morte?

Depressão do ponto de vista psiquiátrico e psicológico é um sofrimento complexo e bem dolorido. Não se pode dizer que ela surge porque alguém largou você, ou porque uma pessoa querida morreu, ou porque você foi demitido do emprego, etc. Estes fatores podem ser o que desencadeia a depressão. Mas a causa envolve mais coisas, dentre elas a genética, a epigenética, o social, seu passado infantil, sua sensibilidade e espiritualidade.

A pessoa deprimida perde a alegria de viver. É como se a mente ficasse nublada o tempo todo. Ela perde o gosto pelas coisas, se sente sem energia, e experimenta uma tristeza constante. A Organização Mundial da Saúde prevê que em 2020 a depressão deverá ser a segunda doença do mundo, sendo a primeira ainda as cardiovasculares, mas em 2030 provavelmente ela estará no topo da lista de doenças que atingem a humanidade.

O mundo está ficando triste. Olhe ao redor para o social, para o mundo político, para igrejas que fazem lavagem cerebral nos incautos (e até em pessoas inteligentes!) prometendo o parar de sofrer e ganhar dinheiro como isto fosse a mensagem do Evangelho. Se fosse, então Jesus Cristo não teria sofrido e teria terminado Sua vida muito rico, com prosperidade material. Foi assim com Ele?

O estado depressivo é dolorido. Talvez possa existir alguma culpa carcomendo a alma da pessoa deprimida. Morreu alguém que você de certa forma cuidava, e agora você vive com pensamentos autocobradores de culpa tipo: “Eu poderia ter feito mais pela pessoa!”. Seus filhos sofrem pelo divórcio e você se afunda numa culpa que produz a mensagem em sua consciência: “Por que não tentei mais ficar no casamento?”

Na Psicologia falamos em culpa falsa e culpa verdadeira. A falsa geralmente é resultado de interpretação severa da realidade, é quando a pessoa pega pesado consigo mesma, quando exagera o ataque pessoal. Exemplo: uma pessoa que geralmente é mansa, calma, serena, quando um dia fala mais alto e com irritação (que cabe naquele contexto), depois se sente culpada, dizendo a si “perdi o controle”, e se sentindo miserável. A realidade, neste caso, é que sua culpa é falsa porque foi normal a reação emocional do momento. Então, para resolver a culpa falsa o caminho é ter misericórdia consigo e olhar a situação de uma maneira mais ampla do que focal e com flexibilidade.

Culpa verdadeira é o resultado da transgressão alguma lei, seja lei do trânsito, do código penal, da família, da empresa, etc. A solução para esta culpa passa por pagamento de multa, fiança, aprisionamento, etc. Há pessoas que se deprimem porque não se perdoam, e mantêm uma culpa pesada em sua consciência. Por que não se perdoam? Será que é porque não aceitam a frustração?

Outros se deprimem porque criaram expectativas exageradas demais na vida e quando a realidade oferece menos do que o que elas idealizaram, afundam na tristeza e podem entrar em depressão. Isto pode ocorrer no casamento, quanto ao trabalho, ou ligado ao crescimento econômico, etc. Outras pessoas se deprimem porque houve uma sequência de perdas difíceis ao longo dos anos, porque se trata de uma pessoa sensível, porque a realidade foi cruel com elas, e porque elas ainda não haviam aprendido a diminuir as expectativas de felicidade dependente do exterior, das coisas e das pessoas.

Caminhos de prevenção e solução de estados depressivos podem ser: (1)perdoar a si mesmo e aguentar as consequências dos erros cometidos sem revolta, mas com aceitação humilde; (2)receber apoio da família e amigos diante do sofrimento; (3)desabafar com pessoa ética, empática, que sabe ouvir; (4)viver uma vida que inclua ajudar ao próximo gratuitamente (próximo não é só membro da família); (5)se permitir fazer algo que produz alegria ao invés de viver na dependência do que farão por você; (6)olhar a perda como uma oportunidade de crescer em meio à dor, sem fugir dela.

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Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

www.doutorcesar.com.br

 

 

 

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