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O que nós queremos?

As doenças que mais matavam as pessoas antes do século 20 eram as infecciosas. Do século 20 para cá as pessoas morrem mais por doenças “do estilo de vida”, enfermidades que se desenvolvem pela má qualidade de vida. Dentre elas estão as doenças cardiovasculares (enfarte, AVC), diabetes, câncer. Todas relacionadas com alimentação ruim, falta de exercícios físicos, insistência em viver em ambientes poluídos como nas grandes cidades, obsessão material que gera estresse, complicada ou pobre vida afetiva, excessos sexuais, abuso de drogas, incluindo o álcool, tabagismo, etc. O que o povo quer?

O povo precisa entender que grande parte das doenças que as pessoas padecem depende de escolhas pessoais quanto à estes aspectos do estilo de vida. E a solução não depende do médico, da tecnologia médica, da farmácia. Há uma propaganda de uma rede de farmácias na qual um artista termina sua fala dizendo: “Comprar remédio barato é alegria!” No anúncio ele está num camarim se maquiando de palhaço. Esta frase é uma palhaçada mesmo. Comprar remédio é tristeza. Significa que há doença, há sofrimento! Mas o povo quer remédio e não mudar o estilo de vida. Neste caso, concordo, é melhor achar com preço mais barato.

O que o povo quer? Em Paris, França, a prefeitura está com um projeto de colocar adesivos nos veículos mostrando o quanto eles poluem o ar. Olhando a cor do adesivo no parabrisas, o fiscal pode ver se aquele veículo estará trafegando em horário proibido para o nível de poluição que ele produz na cidade. A prefeita quer diminuir os índices de poluição do ar em sua gestão. Louvável atitude dela. Mas o povo quer ficar na grande cidade. Não quer migrar para áreas mais perto da Natureza, melhor para a saúde geral.

Esta semana uma menina de dois anos de idade morreu vítima de “bala perdida”, ao brincava num playground. O ataque da imprensa e da população caiu sobre a segurança do Estado. O Departamento de Segurança de um Município ou Estado não tem poder, por mais eficaz que seja, para controlar a educação das crianças para que cresçam evitando um caminho perverso de marginal. Anos atrás fui um dos muitos convidados do Consulado Geral dos Estados Unidos no Rio de Janeiro para um seminário sobre drogas. Havia médicos, psicólogos, empresários, jornalistas, policiais civis, militares, polícia federal, etc. Um policial federal especializado no combate ao tráfico de drogas disse, numa ótima palestra, que a polícia faz uma varredura excelente de manhã numa favela do Rio, prende traficantes, bandidos. Ótimo. Terminam o serviço, vão embora. No dia seguinte já existe nova leva de traficantes, marginais na mesma comunidade. O que ocorre na familiar na infância destes marginais? Ali é onde se pode fazer prevenção. Aumentar policiais nas ruas resolve o problema original? O que o povo quer?

Futebol, a diversão maior dos brasileiros. O povo vibra, comemora, viaja distâncias para ver seu clube preferido. A grande massa de torcedores é de trabalhadores. A imprensa anima a população a comparecer aos estádios. Que horas começa um jogo de futebol no meio da semana nos campeonatos principais? Quinze para as dez da noite. Que horas termina, se houver horário normal da partida? Onze e meia da noite. Que horas o torcedor, que precisa estar no trabalho cedo, chega em casa ao sair do estádio? É o povo tendo que se adaptar à mídia televisiva que quer transmitir os jogos conforme sua (das TVs) conveniência, ou é o povo que quer jogos nestes horários? O que o povo quer?

Donald Trump, assinou esta semana um documento que reinicia obras num oleoduto nos Estados Unidos que havia sido interrompida por questões ambientais. Ele disse que a obra vai gerar muito emprego. E, cinicamente, disse que é um ambientalista. O oleoduto trará mais conforto aos norteamericanos. E perturbará nossa casa, a Natureza. Geração de empregos com a destruição no nosso habitat é sabedoria ou é inteligência materialista? A obsessão material já perturbou tanto o planeta! Olha o excesso de calor. Os ricos podem ter ar condicionado. E os pobres?

O professor de física quântica na Universidade da Califórnia em Berkeley, Fritjof Capra, escreveu algo importante sobre a possibilidade de uma vida melhor neste planetinha onde vivemos: “Acredito que a visão de mundo sugerida pela física moderna seja incompatível com a nossa sociedade atual, a qual não reflete o harmonioso estado de interrelacionamento que observamos na natureza. Para se alcançar tal estado de equilíbrio dinâmico, será necessária uma estrutura social e econômica radicalmente diferente: uma revolução cultural na verdadeira acepção da palavra. A sobrevivência de toda a nossa civilização pode depender de sermos ou não capazes de realizar tal mudança.” (Capra, O Ponto de Mutação, p.15.16).

No livro de Eclesiastes, na Bíblia, no capítulo 7 e verso 29 é dito que Deus criou o ser humano perfeito, mas as pessoas têm criado muitas complicações.

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Cesar Vasconcellos de Souza – www.doutorcesar.com.br

 

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