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Prevenção de Violência Social e Corrupção

A OMS – Organização Mundial da Saúde diz que as doenças mentais são doenças crônicas das crianças e dos adolescentes. Como assim? O que pode ter ocorrido com crianças e adolescentes que, ao crescerem apresentam transtornos mentais?

Aquilo que somos como pessoa humana, do ponto de vista comportamental, envolve três coisas: (1)genética; (2)experiências afetivas durante a infância e (3)sensibilidade pessoal. Genética não é tudo. Parece que no máximo a influência genética dos pais para os filhos está entre 30% a 50%. O restante depende dos outros dois fatores, qualidade da vida afetiva na infância e a maneira pessoal de reagir aos eventos emocionais da vida.

Mas por que irmãos adultos, filhos e filhas dos mesmos pais, tendo vivido no mesmo ambiente familiar, apresentam respostas comportamentais diferentes na vida adulta? Por que um se torna produtivo enquanto outro apresenta em certo momento da vida uma crise mental, ou se envolve em alcoolismo ou outra dependência química? Por que esta diferença entre irmãos, em termos de saúde mental?

A diferença está no que chamamos de “vulnerabilidade”, que eu chamo de “sensibilidade pessoal”. Os mesmos fatores traumáticos produzem efeitos diferentes em pessoas diferentes. Isto ocorre porque algumas crianças parecem nascer com mais sensibilidade emocional do que outras sendo de uma mesma família. Alguma coisa possivelmente no cérebro destas crianças funciona diferente. Alguma coisa interfere nos circuitos neuronais (das células nervosas ou neurônios) de maneira a causar uma má função neles e na neurotransmissão, e assim surgem os problemas de comportamento.

Prevenção de doenças mentais começa, então, com uma família que pensa nisto, que se dedica a proteger seus filhos de abusos cometidos dentro de casa mesmo e por parte de pessoas de fora. Prevenção ocorre quando os pais aprendem eles mesmos a lidar com suas frustrações, suas dores emocionais de maneira equilibrada. Eles vão aprendendo a combinar disciplina com carinho. Disciplina também é afeto, é amor pelos filhos.

Pais muito liberais que não disciplinam seus filhos, passam a sensação de que eles não ligam para os filhos. E o contrário, pais ditadores passam para os filhos crenças centrais destrutivas e sensações de que eles estão errados pelo que são como pessoa. Ambos extremos de educação, liberalismo exagerado e ditadura, promovem doença mental.

A prevenção de doença mental na família, então, tem que ver com condutas entre os pais e os filhos que seguem um padrão equilibrado de exemplo. É comum os filhos copiarem o comportamento, bom e ruim, do pai e da mãe e os repetir da vida adulta, mesmo dizendo que nunca irão fazer isto ou aquilo que seus pais fizeram. E copiam para repetir depois, inconscientemente. Quando olham, já estão repetindo com seus filhos.

A violência e a corrupção que se alastrou em nossa sociedade tem muito que ver com a falta de prevenção de uma vida afetiva e ética saudável ao longo da vida da criança. Imagine uma família em que o pai ou mãe, cansados após um dia de trabalho, costuma dizer para o filho(a) pequeno que vem lhe dizer que alguém quer falar com ele(ela) ao telefone: “Ah! Filho, diz que ainda não cheguei em casa!” Este pai/mãe que pratica esta mentira, justifica a mesma devido ao cansaço, mas o que é que entra na mente da criança? Entra que mentir está certo, que pessoas cansadas podem mentir para descansar.

Outro exemplo de influência negativa para a saúde mental das crianças é o que presenciei outro dia num supermercado (já vi isto inúmeras vezes na rua, etc.). Um menino de uns 9 anos de idade, com voz mansa, calmo, um tanto tímido, pediu para a mãe comprar algo que ele viu na prateleira. A mãe, estupidamente, grosseiramente, agressivamente, falou com ele: “Pare com isso! Não sei porque eu trouxe você! E se não parar de ficar pedindo coisas, vou te dar um tapa na boca!” O que este garoto aprende e guarda em seu coração com uma atitude assim, de uma mãe abusiva? Que o normal da vida é a violência, que ele não vale nada, que seus desejos não são importantes. Não importa se esta mãe está estressada, se brigou com o marido. A criança não tem culpa disto.

Então, de certa forma e até certo ponto, a prevenção de violência social e corrupção (que éx um tipo de violência) começa no lar com as crianças, dependendo da maneira como os pais a educam, a tratam, e a orientam para a vida.

Prevenir ou tratar a violência social e a corrupção não é algo que começa com políticas públicas, mas com educação no lar. Não é um novo partido, um novo candidato, uma nova aliança que resolve. Depende do que a pessoa que sobe ao poder vai fazer com aquilo que aprendeu sobre bom ou mau caráter na sua infância. Vai depender do seu caráter. Corrupção e violência social é um problema de caráter. Se predomina um caráter perverso e o indivíduo não quer mudá-lo para melhor, nada resolve. E o que ocorre em nosso país, como em outros, é a doença do caráter em muitas pessoas que assumem o poder público e nos violentos. A eleição não resolverá nada se os eleitos tiverem mau caráter. Você conhece o real caráter dos seus candidatos para a próxima eleição?

Agora, não podemos dizer que uma pessoa de mau caráter aprendeu isto com seus pais. Depende. Alguns sim, outros não. E os que não aprenderam, fizeram e fazem a escolha para o crime, para a corrupção, para o delito por decisão pessoal. É quando as trevas dominam a pessoa que rejeita a luz.

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Dr. Cesar Vasconcellos de Souza – www.portalnatural.com.br

 

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