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Qual o padrão de normalidade para o funcionamento da comunicação verbal no casamento?

Homem e mulher são diferentes psicologicamente. A maneira como o cérebro de um funciona é diferente da do outro. A experimentação das emoções ocorre de modo distinto no marido e na esposa. Há maridos afetivos e há esposas frias. Há maridos muito racionais e há esposas muito emocionais. A mulher parece que precisa da conversa para estar na existência de maneira saudável. O homem parece que precisa de pensar sozinho para estruturar sua personalidade. Há um padrão de normalidade, entre ser racional por um lado e ser emocional por outro lado, que possa ser usado para medir o equilíbrio entre um homem e uma mulher no casamento?

 Ricardo está casado com Rute (troquei nomes e outros dados desta história real) há 10 anos. Ele é mais calado, vindo de uma família sem comunicação afetiva, e manifesta seu afeto por Rute com companhia, a leva e busca no trabalho dela, saem para comer fora, tomam refeições juntos durante a semana, ele ajuda a cuidar da casa lavando louça e arrumando coisas, gosta de estar com ela, gosta de ter sexo com ela, mas não alimenta muito a conversa com sua esposa, pois diz não ter muito assunto.

Rute veio de uma família com muita comunicação. Muito ligada com os pais a ponto de pedir ao marido que mudassem de cidade (onde ele era bem sucedido profissionalmente) para outra cidade onde moram os pais dela. Ele fez isto sem questionamentos importantes. Fez por amor a ela. Ela gosta muito de estar com os pais na casa deles e quando vão lá, ocorre muita conversa. Ela senta e conversa direto duas ou três horas com os pais. Já Ricardo se sente incomodado com tanto assunto e vez ou outra levanta, dá uma volta, e depois retorna, e eles estão lá conversando.

Ricardo marcou uma consulta comigo no consultório. Ele quer melhorar. Ele quer resolver os problemas de comunicação no casamento. Reconheceu que tem algumas dificuldades nisto. Ele tomou a iniciativa de procurar ajuda, o que é mais comum a mulher fazer. Esteve disposto a entender os problemas pessoais e do casal, na medida em que conversávamos na consulta, mantendo a mente aberta para entender a verdade. Deu para perceber claramente o interesse dele pela esposa e por querer encontrar melhor harmonia. Ele não estava defensivo, pelo contrário, disposto a aprender. Isto é amor pela esposa.

Qual o padrão correto de conduta em termos de comunicação neste caso? Ricardo tem que adotar o padrão de Rute que é conversar muito? É Ricardo quem tem que desenvolver um padrão de conversa nos moldes da família de Rute? É Rute quem tem que diminuir estas exigências de diálogo frequente e se adaptar ao modelo de Ricardo, sem muita conversa? Quem é o padrão, quem é o modelo de sanidade nesta história real tão comum nos casamentos?

O que Rute sente quando seu marido não mantém a conversa como os pais dela fazem? Se sente rejeitada? Será ela rejeitada por um marido que cuida da casa, faz comida, decide procurar ajuda para melhorar o casamento, gosta da companhia dela, tomam refeições juntos, gostam de sexo, mudou de cidade para ela ficar mais perto dos pais, etc.? Será que Rute crê que o padrão normal que deve imperar no casamento é o modelo da família dela? Ricardo admitiu na consulta que ele tem dificuldade em manter uma conversa por muito tempo. Mas será que Rute admitiria que ela tem dificuldade de ficar um tanto sozinha e aprender a refletir, meditar, e se sentir bem sem obrigatoriamente ter que estar sempre conversando com o marido ou com os pais dela?

Por que Rute, saindo de uma família de origem onde há abundante comunicação verbal, se casou com uma pessoa mais fechada? Por que Ricardo saindo de uma família de origem onde havia fraca comunicação verbal, veio a se casar com uma mulher que quer muita conversa? O que cada um talvez necessite aprender com o outro? Neste contexto de comunicação no casamento, quem é o padrão de normalidade, Rute ou Ricardo? Ou nenhum dos dois? Você aceita que não é padrão perfeito no seu casamento? Aceita que ninguém é? Ou ainda nutre a fantasia de “alguém lá fora” fará você feliz porque seu cônjuge não é o padrão? Você é padrão perfeito para seu cônjuge?

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Dr. Cesar Vasconcellos de Souza – www.portalnatural.com.br

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