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Transtorno de Personalidade – Rigidez do Ser – Parte 2 de 3

Na primeira parte desta série de três artigos mostrei que a pessoa com Transtorno de Personalidade (TP) apresenta um exagero em alguns traços de caráter que todos possuímos em dose menor. Você pode ter tendência a dramatizar, a ter ciúmes, ansiedade, melancolia, perfeccionismo, mas isto pode não dominar sua vida, seus relacionamentos. Já no indivíduo com TP ele é possuído de forma rígida por uma destas características, perturbando o relacionamento dele com ele mesmo e com as outras pessoas, produzindo sofrimento por longo tempo, talvez a vida toda, se não procurar ajuda e se não se empenhar em fazer algo para melhorar o jeito de ser.

Se alguém com TP se esforçar para analisar sua tendência doentia de pensar, de sentir, de se relacionar, será possível flexibilizar a rigidez do traço marcante alterado de sua personalidade. Isto diminuirá o sofrimento para a própria pessoa e para os com quem ela convive. Ela aprenderá a controlar impulsos agressivos e explosivos, poderá disciplinar seus pensamentos distorcidos graves, verá que mantém crenças não saudáveis sobre situações da vida e dos relacionamentos, reduzirá ciúmes doentios que geram brigas, conseguirá ser mais misericordioso consigo e com os outros quanto à gastos, etc.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define os Transtornos de Personalidade assim: “Estes tipos de condição abrangem padrões de comportamento permanentes e profundamente arraigados no ser que se manifestam como respostas inflexíveis a uma ampla série de situações pessoais e sociais. Elas representam desvios extremos ou significativos do modo como o indivíduo médio, em uma dada cultura, percebe, pensa, sente e, particularmente, se relaciona com os outros”.

Quando alguém com TP decide fazer o possível para melhorar seu comportamento, pode sair deste estado doentio de ser e passo à passo se tornar mais agradável, confiável, flexível, afetivo, menos dramático, menos histérico, menos agressivo e explosivo, menos frio e calculista, passando a ter apenas traços não dominantes do que antes era rígido e profundamente entranhado em sua personalidade.

As características de personalidade de um indivíduo, como, por exemplo, ser bem organizado, ou econômico, ou muito afetivo, por si só não determinam a existência de um TP. O diagnóstico de TP é feito quando estas e outras características de personalidade se apresentam rígidas, estruturadas, persistentes, inflexíveis, dominadoras no jeito da pessoa ser, e são perturbadoras do funcionamento dela, gerando estresse no relacionamento com os outros e um jeito encolhido ou atrofiado de estar na vida.

Os TP se desenvolvem desde cedo e já podem surgir na infância ou na adolescência, seguindo na vida adulta. O TP é diferente de uma doença mental porque esta última surge após um “surto”, um episódio, um processo, abuso de drogas, tumor cerebral, trauma encefálico, infecção cerebral. Já os TP revelam um jeito complicado da pessoa ser, sendo persistente, duradouro. Alguém disse que as doenças mentais surgem, enquanto que os Transtornos de Personalidade são. Eles são um jeito maladpatado de existir. Existem vários tipos de TP e veremos isto em outras matérias. Mas podemos ver agora que a ciência divide os Transtornos de Personalidade em três grupos:

1º. Grupo – Pessoas com pensamentos estranhos, comportamentos excêntricos e tendência doentia ao isolamento. Aqui se encaixam as Personalidades Paranóides (cheias de suspeitas e desconfianças irrazoáveis) e Personalidades Esquizóides (afetivamente distantes, com dificuldades de bom contato social).

2º Grupo – Pessoas com comportamento inclinado à dramaticidade, manipulação e sentimentos intensos. Fazem parte deste grupo as pessoas com Personalidade Histriônica, muito teatral, tipo “cheguei”, dramático, egocêntrico. Neste grupo também estão as pessoas com Personalidade Anti-Social, que têm forte e significativa incapacidade de se adaptarem aos padrões sociais estabelecidos, com importante limitação para criar e desenvolver relações afetivas estáveis.

3º. Grupo – Pessoas com fortes traços de dificuldade no controle dos impulsos. Aqui entra o Transtorno Explosivo ou Impulsivo, Transtorno Ansioso ou Evitativo, Transtorno Anancástico ou Obsessivo-compulsivo.

Na última parte desta série vamos ver um tipo de TP e passos que podem ajudar a pessoa portadora desta forma de ser que é sofredora e que produz sofrimento.

Fonte: http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=180

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Cesar Vasconcellos de Souza

www.doutorcesar.com.br

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