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Usando as Redes Sociais de Forma Madura

 

A internet favorece, quando mal usada, relações artificiais, virtuais. As pessoas querem ser amadas e isto é normal. Mas é preciso aprender a amar também as outras pessoas e parar de ficar escolhendo fotos com poses que revelam alguma beleza ou característica que elas querem exaltar em si mesmas para receberem este amor dos outros.

Não se pode amar virtualmente. Pelo canal virtual em geral ocorre, em termos de relacionamento, o engano. Todos querem postar uma foto que impressiona. Impressiona em que? Rapazes querem mostrar seus músculos, moças querem mostrar seus seios, pernas, rostos maquiados. Qual a finalidade disto? Será a busca de serem amados? É possível desenvolver amor maduro de uma maneira virtual? Não mesmo. A maneira que pode funcionar é a presencial, olho no olho. As mídias sociais são com frequência usadas como instrumentos de disfarce, como uma máscara de carnaval, atrás das quais as pessoas se escondem com medo de serem o que são e serem rejeitadas, não amadas.

Um desafio em tempos de relacionamentos virtuais e superficiais é aprender a ter coragem de ser o que se é, ter mente aberta para crescer, e não ficar fissurado em como ser avaliado. Se o que você é como pessoa é legal, se está aprendendo a amar maduramente, a perdoar, a colocar limites saudáveis, a aceitar bem suas limitações, a não mentir para obter aplauso, afeto, dinheiro, se está sendo honesto emocionalmente, se não manipula as pessoas, então não precisa criar um sorriso e pose produzidas para colocar nas redes sociais. Seu sorriso natural e a não exposição indevida do seu corpo é o bastante porque, neste caso, sua meta é ajudar, informar, se comunicar de maneira saudável. E isto é saúde mental. Isto é ser inteligente emocionalmente. Isto é ser espiritual, ou seja, ser útil para abençoar outras vidas. O resto é superficialidade e vazio.

A solidão mata porque fomos criados para o contato com os outros, para interagir. Mesmo que seja importante – e é mesmo! – ter momentos de solidão para comunhão com Deus, reflexão, meditação. Interessante que Jesus Cristo gastava muitas horas em solidão em busca de força espiritual, luz divina, desabafo, orientação, em Sua humanidade. Mas nós somos desequilibrados nisto também porque ou somos daqueles que se isolam, ou dos que não conseguem ficar sozinhos 10 minutos!

O isolamento social pode ser uma defesa do medo de ser rejeitado, de não ser aceito como eu queria, do medo de não saber falar, de passar vergonha, ou pode ser também egoísmo, indiferença pelo senso de comunidade. Também pode ser inabilidade social, ou seja, algo não aprendido ainda. Há pessoas que gostam da solidão normal e não têm nenhum problema com isto e não são egoístas. São as pessoas introvertidas, que é diferente de timidez. O introvertido gosta de estar com ele mesmo. Já o extrovertido precisa de “visibilidade” para se sentir bem.

O mundo virtual da Internet favorece o isolamento e a superficialidade das relações, o que é perigoso porque você se esconde facilmente e assim se engana a si próprio e engana os outros, e atrapalha o contato pessoal que é imprescindível para os ajustes necessários nas relações afetivas devido às diferenças pessoais (de personalidade).

Precisamos aprender a estar conectados com a gente mesmo, sem ficar fugindo de nós mesmos com horas gastas em redes sociais querendo mostrar o que não somos, o que não conseguimos na verdade, na realidade de nossa vida pessoal.

Também é importante aprender a nos relacionarmos com as pessoas maduramente na qual damos e recebemos, ensinamos e aprendemos, ganhamos e perdemos, nos alegramos e nos entristecemos, ficamos satisfeitos e ficamos frustrados, porque é assim que a vida real é. Não aceitar isto é fugir da realidade, e o mundo virtual é uma boa maneira para esta fuga, mas que aliena a pessoa, e isto é autoengano.

Creio que nossa conexão primária, essencial precisa ser com quem chamo de Deus o Criador. É dali, do momento de oração a Ele, que podemos sair mais lúcidos, mais conscientes, menos enganados por nós mesmos, mais realistas, menos triunfalistas, menos pessimistas, mais afetivos, mais fortes para lidar com abusos, menos abusadores, mais assertivos, mais mansos, mais calmos, menos deprimidos, menos angustiados, mais plenos. Como disse o Dr. Jorge Amaro, psiquiatra e psicanalista, ex-professor da USP: “O homem maduro é espiritualizado.” (Psicoterapia e Religião, Editora Lemos, 1996).

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Cesar Vasconcellos de Souza – www.doutorcesar.com.br

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