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Vamos conseguir mudar para obter alívio do sofrimento pessoal e comunitário?

Vivemos numa sociedade compulsiva. Queixamos-nos dos traficantes e dos dependentes químicos, porém podemos promover funcionamentos sociais gerando dependências tão maléficas quanto certas adicções ou dependências químicas. Pode ser o vício de acumular bens, de romance, de comida, sexo, compras, etc.

Quando os políticos prometem saúde, eles estão falando, em geral, de hospitais, UPAs, Postos de Saúde. Isto é para a doença da população. Para a saúde é preciso programas de prevenção, e as vacinas são apenas a ponta do iceberg dentro do vasto campo de educação em saúde que o governo deveria oferecer de forma responsável e ética.

A sofisticada tecnologia médica não resolve os problemas humanos. Ela facilita procedimentos médicos, odontológicos, etc., mas a saúde ainda está em adotar-se práticas simples de viver (ver final da matéria). Saúde tem mais que ver com eliminação de hábitos ruins e adoção de hábitos saudáveis, do que com tratamento com medicamentos e cirurgia.

Semelhantemente, os órgãos ligados ao trânsito (fator altamente estressor nas cidades), promovem ações de educação punitiva, como multas, radares (alguns colocados em locais sem sentido algum e, assim, abusivamente), que tem seu lugar na contenção de acidentes e infrações que realmente prejudicam o bom funcionamento do trânsito. E os procedimentos educativos para prevenir os acidentes e perturbações do trânsito? Em alguns municípios ocorre uma eliminação de vagas para veículos na cidade, proibindo estacionar em ruas sem nenhum sentido aparente para esta proibição. É incentivo para ir ao trabalho de bicicleta? Mas fizeram ciclovia? Incentivo para andar de ônibus e/ou metrô? Mas ele andam lotados e sem condições de conduzir a população de forma confortável?

Tem ocorrido uma falência nas relações familiares. Porém, há uma diferença entre a disruptura da vida familiar em grande quantidade e qualidade em nossa sociedade e a falência da instituição chamada “casamento”, a qual não ocorreu, mesmo com a tragédia de termos em alguns países, como nos Estados Unidos, onde de cada três casamentos, dois terminando em divórcio. Pelo menos 50% de todos os casamentos pai e mãe trabalham fora, e a mulher tem dois turnos, ou seja, trabalha fora e dentro de casa, produzindo certo abandono dos filhos. Estudos sugerem que o sentimento de abandono é o aspecto central dos desejos compulsivos ou dependências. (P. Carnes, 1991).  Leia de novo esta última frase e pense nisto que é um achado científico sério.

Temos perdido a experiência de comunidade. Nos Estados Unidos um executivo muda de emprego em média a cada 18 meses e a média das famílias muda de residência a cada três anos. Isto promove, claro, uma desintegração da rede comunitária resultando em isolamento, que é uma pré-condição do abuso contra crianças e adicção.

A idéia subliminar na sociedade é a de que você tem que ter sucesso a qualquer preço, sendo “sucesso” a aquisição de bens materiais como um fim em si mesmo. Isto produz muito estresse individualmente e na comunidade, gera tensão global e ansiedade crônica.

No mundo capitalista a opressão sobre os menos favorecidos impera e produz cinismo social gerando frieza comunitária. Acostumamos-nos com sofrimentos inaceitáveis, como a violência social, corrupção em todos os poderes com conseqüências negativas para a qualidade de vida da população. Sintoma de desesperança? Por que a Associação Mundial de Psiquiatria prevê que em 2020 a depressão passará a ser a segunda doença no mundo, e em 2030 a primeira? A resposta parece ser: perda da esperança, que está no núcleo do sofrimento depressivo.

Vamos engolindo os abusos de autoridades que usam o poder de forma ditatorial cheio de mentiras insuportavelmente cínicas, no regime “democrático”. Também em nosso país leis são feitas, com exceções, parecendo visar a imposição de normas que pesam sobre a população, e não que aliviam. O governo não faz a parte dele como deveria e obriga a população a fazer a dela. Podemos chamar isto de democracia?

O homem quer porque quer explorar o espaço sideral com tanta coisa para fazer na Terra. Engenharia genética favorece a negação do fato de que para a pessoa não adoecer ela precisa prevenir as doenças com hábitos simples. O orgulho científico promete próteses e mudanças nos genes como soluções humanísticas, e plantas transgênicas alteram o plano original do Criador, o que produz resultados ruins para todos.

Solução? Vida simples, no campo, longe das grandes cidades, alimentação natural vegetariana, viver para ajudar e não para competir, exercícios físicos ao ar livre, senso de comunidade, ajuda comunitária voluntária, luta pessoal contra a corrupção do próprio caráter, compreensão de que o bem estar interior individual e social depende de atitudes mentais e sociais positivas que realmente visem o bem comunitário e desenvolvimento espiritual. A população como um todo vai conseguir isto? Estudos (Fritjof Capra, “O Ponto de Mutação”, etc.) infelizmente mostram que não. Então, a saída é mais pessoal do que comunitária. Não se iluda com um novo partido, um novo candidato. O problema (e a solução) central está no caráter do indivíduo.

Texto baseado nos estudos de Patrick Carnes, Ph.D., “Don’t Call it Love”, Bantam Books, p.75-77, 1991, e em textos de Ellen G. White e da Bíblia.

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Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

www.doutorcesar.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

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